Normal e anormal

Normal e anormal

O que é ser normal?

A dificuldade em dar resposta a esta pergunta é tanta que todas as áreas do conhecimento se debruçam sobre ela, tentando defini-la.

Os esforços são infrutíferos, se quisermos algo conclusivo, pois as fronteiras do “normal” e do “anormal” são flexíveis e mutáveis, de acordo com a cultura e os costumes dos povos.

O conceito de normalidade varia quase tanto varia o conceito de moralidade.

Ele muda de acordo com a evolução do conhecimento e com entendimento que se tem, em um momento determinado, da natureza verdadeira do ser humano e de sua relação com o outro e com o meio.

“Eu não sou normal”. Este é um pensamento que muitas pessoas tem a respeito de si mesmas.

Para alguns, ele traz uma sensação de inadequação (e pode levar à depressão).

Para outros, ele leva a uma acomodação; como se encontrassem nele uma justificativa para a falta de atitude e de ação para corrigir um problema ou suposta anormalidade.

De modo geral, não ser normal é apresentar padrões incomuns de comportamento. É comportar-se diferentemente da maioria do grupo a que se pertence.

Isso vale para tudo: para pessoas e para o funcionamento orgânico, por exemplo.

O comportamento

Todos sabemos, de forma instintiva, que o comportamento deriva das emoções e do pensamento. A partir disso ─ em razão de juízos que fazemos de todos e de tudo, quase sempre fundados em preconceitos ─, rotulamos facilmente quem age fora do padrão, de modo não aceitável.

Contudo, tornamos a pessoa ou nós mesmos um anormal, neurótico, louco, “sem-vergonha” e muitas outras coisas.

Essa rotulação indiscriminada é causa de muita disfunção emocional e física. Os prejuízos são numerosos e profundos.

Causam muita dor e mostram que quase todos somos bullies, ou seja, praticamos bullying enquanto imaginamos defender um modelo de normalidade.

Ademais, a compreensão equivocada do que é normal e do que é anormal reflete a dificuldade que temos em ser empáticos com os outros e com nós mesmos, distancia-nos do olhar compassivo que o “diferente” deveria suscitar a todos.

Ainda não nos demos conta da conectividade que há entre tudo e todos. Somos uma coletividade cujos membros estão interligados. O que ocorre a um, afeta a todos.

Distanciar-se do sofrimento do outro ou provocar-lhe sofrimento por acusa-lo de “anormalidade” é fazer mal a si mesmo, tanto quanto não cuidar de si é prejudicar o outro, levando dor aos que estejam à sua volta.

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