Questão de Escolha

Questão de Escolha

William Jennings Bryan defende que o destino não é uma questão de sorte. É uma questão de escolha. Não é algo a se esperar. É algo a se conquistar.  O autor enfatiza a necessidade da escolha na construção do destino, reconhecendo o inalienável direito do ser humano à liberdade da autodeterminação.

É isso mesmo. A vida não é um jogo de dados em que as pessoas têm seus destinos forjados por combinações fortuitas. Tampouco são marionetes atadas aos cordéis de um titereiro pândego.

A vida é sempre uma combinação de atitudes e comportamentos, de ações e inações, de lutas e fugas, de construções e destruições, de riso e lágrima, de fé e dor, além de desnecessariamente elevadas doses de egoísmo, violência e cinismo, tudo permeado por muita, muita, muita esperança.

Esse amálgama é resultado do exercício libertário da vontade e do desejo experimentados pelas pessoas em cada momento de existência de cada um. A vida é sempre fruto das escolhas singulares dos indivíduos em todos os tempos.

Ela flui em crescendo de renovações, a cada alternativa que se experimenta. E ainda que as escolhas impliquem “erro existencial”, algo foi estabelecido, feito e modificado.

Esta talvez seja uma das mais importantes questões da existência humana – a escolha e seus efeitos, a opção e suas consequências.

Até agora, de modo geral, as dificuldades todas a serem enfrentadas ao longo da existência, a escalada da violência e da insegurança, a corrupção, as doenças, as questões financeiras, a fome, a ansiedade, a depressão e tudo o que se mistura no caldeirão do sofrimento humano, são frutos de escolhas individuais e coletivas equivocadas, fundamentadas em valores calcados no individualismo e na intolerância.

Sofrimento Psicológico

O sofrimento psicológico também se inscreve nessa categoria. A dor moral é igualmente gerada pela escolha individual.

Perdidos em interesses particulares, o homem esquece que a escolha tem estreita relação com juízo crítico, discernimento, sensatez e capacidade de ser empático.

Enquanto ele não desenvolver esses valores, as escolhas tenderão a produzir consequências de benefício fugaz no campo restrito do egoísmo ou nenhum benefício e ainda prejuízo no campo ampliado das relações humanas.

Nesse caso, a escolha não cria possibilidades mais amplas para o indivíduo, não lhe abre estradas para a continuidade do processo vivencial. Ao contrário, dificulta sua caminhada.

Viver é criar e evoluir. Crescer. Criação e evolução só acontecem em processos em que as escolhas estejam presentes. Fora disso, é estagnação.

É também sabido que todo crescimento é uma mudança e, por isso, traz alguma dor.

Espécie Humana

A espécie humana ainda não encontrou caminhos evolutivos totalmente isentos de dor. Assim, crescer dói, porque escolher também dói. Mas, não escolher é estagnar, o que igualmente resulta em sofrimento.

Como a evolução é compulsória à espécie humana – em razão de um presumido determinismo biológico e também uma ênfase filosófica presente em culturas diversificadas e em conhecimentos espirituais, ancestrais e contemporâneos –, há como que uma obrigação moral de se evoluir.

Há mesmo uma premência em se evoluir, por parte de muitos. Uma urgência, até. Tais pessoas esquecem que tudo tem o seu tempo, o seu momento. Para se evoluir, é preciso investir capital emocional.

A evolução só se consegue com o conhecimento de si mesmo, quando entendemos como funcionamos e porque fazemos as escolhas que fazemos.

A urgência, na verdade, não é premente, para que não se torne fonte de ansiedade e angústia. Todavia, é preciso colocar-se a caminho.

É preciso tornar-se forte em razão das mudanças feitas para fazer as mudanças ainda necessárias por meio de escolhas mais consentâneas com o projeto de vida adotado.

Isso deve ser feito sem medo da dor, mas com a expectativa do regozijo do novo, pois nem toda dor deve ser razão de sofrimento.

Como bem ensinou Carlos Drumond de Andrade: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”

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